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espigas

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Filmes que eu indicaria

Aproxima-se o fim do mês. Tempo da associação Zero em Comportamento lançar o seu programa mensal para dezembro. Mas a minha preocupação principal vai para as palavras da Zero no último e-mail que me enviaram e que passo a transcrever:

Este será o último mês da programação regular que a Zero em Comportamento manteve durante dois anos. O próximo ano trará decerto grandes mudanças para nós. Felizmente, acabamos da melhor maneira, orgulhosos de vos poder mostrar três filmes excelentes. Primeiro, um Almodóvar que raramente tem sido visto em Portugal. Depois, dois inéditos que nos chegam do Japão e da Hungria e que demonstram que há pérolas cinematográficas espalhadas por esse mundo fora e que importa descobrir. Até qualquer dia (esperamos)!

E agora? Significa isto que vamos deixar de poder contar com a programação habitual no Cine Studio 222? Sem contrapartidas? Rezo para que não. Aqui ficam as propostas de Dezembro:

Laberinto de Pasiones

A versão projetada é o original em castelhano sem legendas. O filme é de 1982 e conta com o seguinte elenco: Cecília Roth, Imanol Arias, Helga Liné, Marta Fernández Muro, Fernando Vivanco, Fanny McNamara, Antonio Banderas, Agustín Almodóvar.

Sinopse da Zero: Madrid, anos 80. Uma cidade evoluída, incómoda, selvagem e divertida. Nela tem lugar uma invulgar história de amor, entre uma jovem ninfomaníaca e o filho de um imperador árabe. Ela, membro de um violento grupo musical e ele, preocupado em manter-se escondido dos terroristas do seu país de origem, serão o fio condutor para o estabelecimento de um conjunto de relações entre os personagens mais díspares que se podem encontrar.

O filme fala de música, violência verbal, perseguições, mudanças de imagem, falta de preconceitos com a obesidade, remédios para lábios secos e unhas frágeis, futuros cheios de incerteza e passados cujas memórias não podem ser apagadas.

Mas este segundo filme de Almodóvar é, acima de tudo, um filme sobre o amor e as suas dificuldades.

A versão projetada é a original legendada em inglês. Esta produção é de 2001. Elenco: Yuichi Hasumi, Shusuke Hoshino, Yoko Kuno, Shiori Tsuda, Tabito Takao, Shimabukurow, Izumi Hoshino.

Sinopse: Este não é um filme como os outros. Não é um filme que se vê como os outros... Este é um filme que se sente... Que nos envolve numa teia composta pela magnífica banda sonora e pela beleza enebriante da fotografia que nos transporta para um estado de levitação interior só alcançado quando de facto somos confrontados com algo ao mesmo tempo próximo e inatingível. Retratar o descontentamento juvenil não é hoje tão fácil como era antes da tecnologia se assumir como um possível e infinito submundo, mas Iwai transforma em cyber-lirismo os instrumentos de introversão de uma nova geração. Os adolescentes retratados apenas são capazes de se expressar on-line, enquanto se tornam parte de um grupo de devoção à diva fictícia que dá nome ao filme. O protagonista Yuichi é a pureza e candura personificadas num adolescente de 15 anos, completamente submerso numa "Lilyphilia" que faz perdurar criando um site de fãs, que ele próprio administra, para meditar sobre a enigmática música de Lily Chou Chou e a sua relação com o seu "éter" (encarado aqui como força vital). Mas cedo Yuichi vai entender que não pode permanecer para sempre neste estado de hibernação...

Versão projectada original sem diálogos. O filme é de 2002. Elenco: Ferenc Bandi, Mrs. Jozsef Racz, Jozsef Farkas, Ferenc Nagy, Mrs. Ferenc Virag, Janos F. Kovacs, Mrs. Janos Nagy, Agi Margitai, Eszter Onodi, Attila Kaszas, Katalin Balatoni.

Sinopse: “hukkle”, uma onomatopeia para o som de um soluço, estrutura-se integralmente no filme na figura de um velho que soluça. Apesar de não existirem diálogos, Hukkle não pode ser confundido com um filme silencioso. É uma obra com uma elaborada estrutura a nível sonoro que revela com minúcia a aura própria de cada cena: nunca se ouve ninguém a falar, mas ouve-se o som da relva a crescer, de mulheres a coser, e tudo isto intercalado com o constante soluçar. Nesta sua estreia como realizador, György Pálfi apresenta um hipnotizante e pouco convencional jogo de mistério que tem como pano de fundo a tranquilidade da vida rural na Hungria: numa pacata aldeia, os membros menos activos, incapazes de trabalhar, os desempregados, os idosos e os doentes vão morrendo um a seguir ao outro. Por trás de uma situação aparentemente idílica esconde-se uma série de homicídios. E todas as mulheres da aldeia são culpadas.